Crônicas de Vëlimir
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Origem

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1 Origem em Dom Out 30, 2016 7:09 pm

Achlys

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Achlys
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Comparada com as outras nações do ocidente, Tellius é a mais recente delas. Um reino novo, em contraste com o que toda sua alta produção cultural poderia passar - isso, considerando seus não menos que milhares de anos de existência. Contudo, aliado a esse fato existe outra característica que a marca profundamente: o processo de Independência. Tellius não existia antes como um reino em si, mas uma colônia a ser explorada pelo exterior.

Não vamos desconsiderar a história que existia antes do que vamos denominar como a "institucionalização política" das terras. O território era dividido em cidades esparsas, com a arquitetura gótica tão comum em comunidades élficas - não era para menos, afinal, eram a maior parte da população. A convivência entre as raças mágicas era pacífica devido à pouca interação entre elas, com poucos conflitos territoriais que estouravam de vez em quando. Eram povo de riquíssima erudição, especialmente no que se tem quanto a produção musical - uma herança que não se perderia, formando um dos maiores orgulhos do reino até hoje -, com sons que reproduziam perfeitamente a natureza e tão finos que até os animais mais selvagens eram obrigados a se curvar diante de tão bela melodia. Algumas torres pontiagudas despontavam entre as árvores, com seus telhados que pareciam perfurar as nuvens mais altas, com escadas circulares suspensas no por magia que as circundavam.

A história conta que as terras de área tropicais foram um achado para marinheiros de Ekalyon: planícies férteis, lagos de água doce e um clima completamente diferente do que se via em seu reino. As primeiras cartas descrevem o lugar como similar a um conto de fadas: uma natureza exuberante, até para padrões mágicos, com cores vibrantes que saltavam aos olhos em cada pétala de flor, e criaturas místicas tão magníficas que imaginavam ser fruto de sonhos ou alucinações. No entanto, o verdadeiro valor dessa terra não recairia simplesmente sobre seus atributos naturais, mas sim em algo que Ekalyon acharia muito, mas muito mais lucrativo: seu povo.

A história do que um dia constituiria Tellius é negra, um passado sórdido que muitos, inclusive do próprio reino, gostariam de deixar enterrado, esquecido. Foram anos de exploração, com seu povo traficado e submetido a um tratamento humilhante pelos seus colonizadores - os que sairiam mais beneficiados seriam a própria Ekalyon e Ralion, ambas que empregariam a força aparentemente inacabável de seus escravos para erguer estruturas históricas exuberantes e, sobre os corpos de tantos estrangeiros mortos, salões seriam inaugurados para festas. Eram comuns os casos de jovens presos em um estado vegetativo após a viagem: calados, como se não percebessem a volta deles, em um transe forçado pelos traumas e pela terra estrangeira - uma força que nenhum curandeiro até hoje conseguiu entender como ou porquê acontece.

Não foi um controle fácil, diga-se de passagem, e os nativos se rebelavam com tanta periodicidade quanto eram subjugados novamente. Muitos se voltaram para as florestas mais densas ou para as montanhas, onde, por crença ou por medo, ou uma combinação de ambos, seus captores não ousavam entrar. Até hoje dita-se que as comunidades encontradas ali são mais hostis a presença de qualquer outro ser mágico, o que não deixa suas culturas menos convidativas a pesquisadores insaciáveis: como sobreviveram? Como são compostas? Conseguiram proteger o conhecimento de outras comunidades? São muitas perguntas que nem mesmo a monarquia atual é capaz de solucionar.

Os que ficaram, por sua vez, experimentaram um período sombrio, com escassez de recursos e abundância de crueldade: não se engane, se Ekalyon parece uma nação amistosa nos tempos atuais, a história ainda se lembra da época em que disputas de poder assolavam o reino e o preço era pago com vidas - vidas menos valiosas, eles diziam; vidas que não valiam tanto quanto as suas próprias. A maioria dos habitantes nativos aprisionados não chegava a continuar na terra natal, sendo mandados para trabalhos exaustivos no exterior, e os que ficavam não tinham muito o que comemorar: eram vendidos como servos dos infelizes que eram mandados para supervisionar os negócios da região, e submetidos a situação tão bárbaros quanto.

Foi entre algumas revoltas que eclodiam na colônia que um grupo começou a se organizar: rebeldes - não, revolucionários - sobreviventes que começavam a se reconhecer, a tomar conhecimento do plano de ação e de como eram as estratégias de Ekalyon que os derrotavam. Um grupo inerentemente difícil, composto por sobreviventes de diferentes grupos, de regiões completamente distintas, o que não deixava o planejamento mais simples: eram habilidades diferentes que nunca, nunca pareciam se complementar. No fundo, sabiam que estavam perdidos se continuassem assim, mas a outra opção era se render e ter sua liberdade retirada de si - para não falar das punições exemplares ao qual seriam submetidos. Não. Eles podiam morrer de qualquer maneira; no fundo, sabiam que iriam morrer de qualquer maneira, mas seria em um campo de batalha, lutando por uma causa na qual acreditavam.

Yasanne gael'Elentári herdou uma guerra que não era dela: uma jovem elfa ainda no primeiro século de vida, cuja descendência remontava aos deuses primordiais de sua raça, que viu sua colônia ser dominada em retaliação pelos ataques dos rebeldes. O que nasceu dali não foi um ódio contra Ekalyon ou contra os humanos - não, elfos não são uma raça tendente ao ódio, são seres milenares, com vidas longas demais para se concentrarem em uma única emoção, e sabedoria o suficiente para entenderem quais as consequências de quando o fazem. Yasanne, na verdade, nutriria um ódio pela guerra em si; pela destruição que trazia consigo, pelas perdas que fazia com que as pessoas suportassem, pelas cicatrizes que deixava na terra e na memória. Ela tomou para si a missão de findar o conflito, mas sua primeira estratégia não foi se aliar aos rebeldes, e muito menos com Ekalyon: ela decidiu agir sozinha, enviando cartas e solicitando audiências com administradores e, pelos deuses, com o próprio rei.

Não é necessário falar que suas tentativas de recorrer pela diplomacia falharam completamente: era uma pessoa, nem isso, sequer, só, sem título, família ou posse que pudesse sequer fazer dela alguém importante. Tudo o que poderia dizer a seu favor era sua descendência, mas para os humanos com quem estava lidando suas palavras pouco importariam se não estivessem acompanhadas de poder. Contudo, era paciente e obstinada, e por mais alguns meses continuaria escrevendo cartas, algumas das quais até hoje estão à mostra no Museu de Tournesol, até que as mesmas incitassem a fúria de um dos chefes locais - afinal, quem ela pensava que era? Haviam gargalhado em puro escárnio pelo conteúdo delas, mas toda "brincadeira" perdia a graça, e começava a se tornar irritante. O plano foi aceitar a proposta de um encontro para que "discutissem os termos de paz", atraí-la com isso e fazê-la cair em uma emboscada, livrando-se da elfa de uma vez.

Talvez os deuses tenham sorrido para Yasanne naquele dia, pois o plano falharia em seu momento crucial. Ela sobreviveu, por pouco, sim, mas estar viva era o que importava.Só então entendeu que por mais que quisesse evitar que mais sangue fosse derramado, se ela simplesmente continuasse sem fazer nada, mais perdas seriam sofridas. Mais jovens cresceriam sem família, ou sequer cresceriam para ver um outro dia nascer.

Seria simplificar demais dizer que os rebeldes a aceitaram como uma espécie de "líder prometida", ou que diante de suas tropas os inimigos se curvaram e aceitaram a independência daquelas terras sem resistência. Foi um caminho longo e árduo, que ela só conseguiu trilhar por representar aquilo que mais faltava à força revolucionária: União. Yasanne conseguiria o apoio daqueles que até então haviam se retirado para as florestas, e sua sabedoria se provou mais do que valiosa, na medida que suas estratégias tinham em mente os menores riscos para seus aliados, enquanto as forças dos colonizadores dependia unicamente na brutalidade - queriam um fim rápido ao conflito, e quando perceberam o que estavam fazendo era tarde demais.
A primeira vitória de Yasanne libertou sua a sua colônia, apenas para achá-la destruída, com apenas a lembrança do que um dia fora: seus habitantes, os vizinhos com quem compartilhara sua vida? Se não estavam vazios, como cascas que apenas se assemelhavam aos antigos recipientes, nutriam um ódio absurdo contra ela mesma. Ela sentiu vontade de parar de lutar, sentiu enquanto suas forças se esvaiam de si e perdia, pouco a pouco, qualquer  o desejo de liberdade morrer e dar lugar ao luto.

Mas a luta já não era sua - para falar a verdade, nunca fora. A luta que enfrentariam dia após dia, ataque após ataque, cada vida perdida e cada vida que libertariam jamais pertenceriam a ela para glorificar - oras, se não qual seria o sentido da liberdade pela qual batalhavam? Era uma causa maior, e o choro de crianças desesperadas a fizeram despertar para isso.Yasanne estaria mudada, sim, sem o resquício de vivacidade com a qual iniciara sua jornada, mas uma apatia que só se desmanchava quando escutava o sono tranquilo dos refugiados em seu campo.

A vitória só seria declarada definitiva quando, após a tortuosa La Bataille de Vainblum, Yasanne fora capaz de reunir consigo as forças de Heilyse de Orleáns e as de Mersony Barhsburg, no ainda fresco campo de batalha. Ali, onde anos mais tarde se ergueria o Castelo da Família Real, as três matriarcas selariam um acordo que garantiria a independência de Tellius. As forças de Ekalyon começariam a bater em retirada, a situação agora invertia contra seu favor: seus número eram menores e suas forças restavam cansadas, longe de casa e desmotivados. Não foi uma surpresa quando um pedido de paz chegou aos pés de Yasanne a partir de um emissário assustado e de olhos arregalados, mas ela assegurou que nada lhe aconteceria - aquela carta, aquele desfecho era tudo pelo qual sonhara, e ninguém ousaria levantar a voz para questioná-la quando a resposta era escrita aceitando as condições pedidas; muitos nas forças haviam perdido familiares, amantes, filhos, amigos e companheiros que nenhum pedido de "desculpas" podia restaurar, mas nenhum, nenhum deles teve de assistir enquanto tudo pelo qual estavam lutando começasse a amaldiçoar e cuspir em seu nome como se fosse uma praga, nenhum deles tinha que viver carregando o mesmo peso que Yasanne.

E nem ela.

Findada a guerra e, enfim, alcançada a independência, outro problema aparecia: como ficariam aquelas terras, marcadas para sempre pela sombra da escravidão e dos horrores da luta? As discussões não foram poucas dentro do Conselho formado pelas figuras mais proeminentes do conflito: alguns queriam um governo eleito, para se diferenciar o máximo possível de Ekalyon, enquanto outros tendiam para uma monarquia de mesma natureza. Caberia a Yasanne decidir, e ela optaria pela Monarquia Parlamentar como o modelo a ser seguido, defendendo que a unidade da nação era um bem maior a ser protegido, especialmente para afastar o perigo de uma possível recolonização.

No entanto, ela jamais chegaria a sentar no trono. Seu destino não era ser uma rainha, por mais que tivesse conquistado todo o direito para tal, mas sim ser eternizada pela história como uma guardiã, uma guerreira que simbolizaria um ideal, acima de tudo. Um anseio que iria guiar os próximos passos de sua terra.

Como um último sacrifício, Yasanne daria a cada uma das famílias mais fortes uma parte de seus poderes: aos Orleáns, seu legado ficaria conhecido como os Olhos do Céu, e aos Barhsburg, os Olhos do Inferno. Era um símbolo de que, da mesma forma como não teriam conseguido a vitória sem a ajuda de ambos, eles deveriam governar juntos também. E assim, Yasanne terminaria sua longa, porém curta, vida para que o Reino de Tellius pudesse surgir.

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Nobreza escreveu:Orleáns

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